Recentemente ocorreu o comité de investimento do Banco Best, onde foram analisados os acontecimentos económicos mais recentes e definida a visão sobre as diferentes classes de ativos de investimento.
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O BCE terminou o ciclo de cortes, considerando que a inflação está em linha com o objetivo e que os riscos para o crescimento e inflação estão equilibrados. Não vemos argumentos para aumentar ou reduzir a exposição a liquidez neste momento.
As estratégias alternativas mantêm-se atrativas. As matérias-primas beneficiam de uma economia global sólida. Compras dos bancos centrais e utilização como ativo de refúgio suportam os metais preciosos. Os ativos reais continuam a oferecer rendibilidades semelhantes às ações (~11%) e as estratégias de retorno absoluto mantêm o seu papel diversificador. O ouro tenderá a beneficiar de uma forte procura baseada no movimento de alternativa ao USD / ao papel-moeda.
As obrigações deverão beneficiar de uma política monetária neutra na
Zona Euro e de cortes de taxas nos EUA, mas a situação
fiscal/orçamental aponta para um aumento da inclinação das curvas de
rendimento. O risco de um aumento descontrolado das “yields” mais
longas é real e poderia ter consequências, também, no mercado
acionista.
“Yields” atrativas deverão continuar a atrair o interesse dos
investidores pelo crédito e pela dívida de Mercados Emergentes. A
boa saúde financeira no segmento de Investment Grade e o reduzido
grau de incumprimento no High Yield devem conter um possível
alargamento dos “spreads”. Um ambiente macroeconómico mais benigno
nos Mercados Emergentes permite perspetivar mais um ano claramente
favorável para esta classe.
As ações estarão suportadas por um sólido crescimento dos resultados a nível global. Cada um dos três grandes blocos regionais (EUA, Europa e Mercados Emergentes) apresenta alavancas de crescimento distintas, o que é um fator positivo. Já a grande concentração dos EUA na alavanca da IA é um risco potencial que reforça a atratividade de um posicionamento totalmente diversificado.
Em 2025, a economia global evoluiu conforme esperado: um
abrandamento moderado, com desinflação mais lenta e
riscos persistentes em algumas regiões. Nos EUA, o
crescimento abrandou de 2,8% para cerca de 2% e o
desemprego subiu para 4,6%. Ainda assim, a economia
manteve-se resiliente, apoiada pelo investimento
tecnológico — sobretudo em inteligência artificial — e
pelo consumo das famílias de maior rendimento.
Na Europa, o sentimento permaneceu frágil devido à
incerteza geopolítica e a desafios de competitividade,
embora a atividade tenha sido sustentada por taxas de
juro mais baixas, pelo dinamismo dos serviços na
periferia e por alguma antecipação de procura associada
às tarifas dos EUA. Na China, o crescimento desacelerou
para 4,8%, penalizado pela recessão imobiliária, por
procura interna débil e por pressões desinflacionistas,
apesar de o país manter vantagens estratégicas em
matérias-primas críticas.
No plano das políticas públicas, os bancos centrais
iniciaram a normalização: a Fed cortou as taxas três
vezes, para 3,5%–3,75%, e o BCE reduziu 100 pontos base,
colocando a facilidade de depósito em 2%. Em 2026,
projeta-se um crescimento global próximo de 3%,
ligeiramente inferior ao de 2025, apoiado por políticas
orçamentais ainda expansionistas e preços de petróleo
contidos. A inflação deverá convergir na Zona Euro,
permanecendo mais persistente nos EUA e no Reino Unido.
Em 2025, a maioria dos ativos financeiros registou
desempenhos positivos, apesar das dúvidas sobre a
política norte-americana, o calendário de cortes da Fed
e o real impacto económico da IA. As ações beneficiaram
do sólido crescimento dos lucros, com liderança dos EUA
— suportada pela tecnologia — e resultados positivos
também nos mercados emergentes. Na Europa, valorizações
mais atrativas contribuíram para os retornos, embora com
forte dispersão entre setores e países.
Nas obrigações, a desaceleração da inflação e os
primeiros cortes de taxas criaram um contexto mais
favorável, sobretudo nos segmentos com yields mais
elevadas. No crédito, a robustez financeira das empresas
investment grade e níveis de incumprimento muito baixos
no high yield limitaram o alargamento de spreads. A
dívida de mercados emergentes destacou-se igualmente,
apoiada por yields competitivas e pela melhoria dos
indicadores de endividamento em várias economias.
Entre as matérias-primas, o ouro reforçou o seu papel
defensivo, apoiado por riscos fiscais, forte procura
asiática e compras persistentes de bancos centrais. Já o
petróleo enfrentou pressões descendentes devido ao
excesso de oferta. Para 2026, o ciclo positivo pode
prolongar-se, mas com maior probabilidade de
volatilidade e correções intermédias, reforçando a
importância de carteiras diversificadas e gestão ativa
do risco.
2025 fica marcado pelas tarifas, IA, tensões geopolíticas e desvalorização do USD
Para que não perca de vista o que de mais importante se passou neste mês, destacamos de forma sucinta os principais acontecimentos que marcaram a economia global e os mercados financeiros.
Fed: 3º corte consecutivo das Fed Funds (3,5%-3,75%). Foi revisto em alta o crescimento do PIB 2026 (de 1,8% p/ 2,3%), em baixa a inflação (de 2,6% p/ 2,4%) e o desemprego manteve-se (4,4%).
Isabel Schnabel: admite que o próximo movimento do BCE (não para já) pode ser de subida de juros.
EUA/Ucrânia: Trump afirmou que as conversações com Zelensky progrediram, mas o acordo de paz tem como maior dificuldade o futuro do Donbass.
TRUMP, IA, EURO
As tarifas e as decisões de Trump fizeram
mexer mais, ou tanto, o mercado como as
promessas positivas da IA que já impactam
nas Big Techs. Por outro lado, para os
investidores diversificados da Zona Euro o
grande detrator foram os 12% de valorização
do euro face ao dólar.
Ao nível da economia global, o mês foi marcado pelos seguintes fatores e acontecimentos:
EUA: PIB do Q3 muito positivo (4,3% QoQ anualizado, vs. 3,3% estimado), sustentado no consumo privado (que representa 70% do PIB) e investimento (designadamente em IA).
ZONA EURO: o PMI industrial recuou ainda mais para território de contração em dezembro, (48,8 vs. 49,2 estimado e 49,6 de novembro – em mínimos de 9 meses). Subida ligeira do índice de sentimento económico em novembro (de 96,8 para 97 pontos), em linha com o previsto.
CHINA: o IPC de novembro subiu de 0,2% p/ 0,7% YoY (com a 1ª subida dos preços da alimentação em 10 meses). Mas o IPP acentuou a queda para 2,2% YoY (dado o excesso de capacidade produtiva).
O acompanhamento da evolução dos mercados financeiros, a par da diversificação de investimentos, é um pilar base para a construção de uma carteira de investimentos adequada. Saiba resumidamente o que marcou os diferentes mercados este mês.
AÇÕES: 2025 foi o 3º ano com performances muito interessantes para os mercados acionistas globais, com diversos índices perto dos seus máximos históricos, apesar da volatilidade ligada a receios sobre tarifas e a uma potencial bolha da IA. O mercado internacional superou o dos EUA, com o S&P Developed Ex-U.S a subir 35%, impulsionado por fatores favoráveis, incluindo a desvalorização do dólar. Na Europa, o otimismo em torno das políticas fiscais fez o STOXX 600 subir 20,65%, enquanto no Japão, o Topix disparou 25,46% (em máximos desde 1989). Destaque do ano vai para os mercados emergentes, cuja performance foi muito superior à dos mercados desenvolvidos.
OBRIGAÇÕES: as yields dos treasuries caíram em 2025, à medida que os mercados antecipavam mais cortes dos juros pela Fed, em meio a sinais de fragilidade do mercado de trabalho, mas com sinais mistos sobre a inflação e de resiliência da economia. Na Europa, a yield do Bund 10Y subiu 49 bps, após a conclusão dos cortes do juros pelo BCE e os planos de investimentos alemães terem colocado um fim no travão fiscal germânico.
CÂMBIOS: o índice do dólar caiu -9,37% em 2025, devido a preocupações com a política comercial e com os níveis de endividamento dos EUA, além dos cortes nos juros pela Fed.
MATÉRIAS-PRIMAS: mesmo com tensões geopolíticas, o preço do petróleo caiu em 2025 devido ao aumento da produção e à redução da procura (e.g. China). Já o ouro, alcançou máximos históricos (+65%), beneficiando das tensões geopolíticas, expectativas de juros mais baixos e um dólar mais fraco.
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