Apesar de cerca de 70% da superfície do planeta estar coberta por água, apenas 0,5% corresponde a água doce disponível para consumo humano, agricultura, indústria e produção de energia.
“O valor económico associado à água e aos ecossistemas de água doce equivale a cerca de 60% do PIB global.” WWF
A pressão sobre os recursos hídricos tem aumentado cerca de 1% por ano desde a década de 80 devido ao crescimento populacional, à intensificação da atividade agrícola e industrial e aos efeitos das alterações climáticas. As Nações Unidas e a UNESCO estimam que cerca de metade da população mundial enfrenta escassez severa de água durante pelo menos parte do ano, enquanto milhares de milhões de pessoas continuam sem acesso a água potável e saneamento geridos de forma segura. A tendência deverá continuar nas próximas décadas, uma vez que a procura global de água poderá aumentar entre 20% a 30% até 2050.
Este cenário poderá ter impactos significativos através da degradação dos ecossistemas, da escassez de recursos hídricos e da maior frequência de fenómenos climáticos extremos, o que poderá afetar as atividades produtivas e interromper cadeias de abastecimento, reforçando a importância estratégica da gestão sustentável da água. Para mitigar estes riscos, o investimento em infraestruturas hídricas, sistemas de tratamento e reutilização de água, bem como tecnologias de eficiência hídrica, assume uma importância crescente.
O Banco Europeu de Investimento tem como objetivo aumentar o investimento em projetos relacionados com a água e resiliência para 15 mil milhões de euros entre 2025 e 2027, evidenciando a forma como a água se está a afirmar como um recurso cada vez mais estratégico na economia global.
A crescente necessidade de gerir este recurso limitado de forma mais eficiente tem, assim, impulsionado o desenvolvimento de infraestruturas, tecnologias de tratamento e soluções que procuram reforçar a segurança e resiliência da água. Esta tendência está a criar oportunidades de investimento no longo prazo, suportadas pela crescente procura de soluções ligadas à gestão sustentável da água.
A preservação dos ecossistemas é uma condição necessária para a estabilidade ambiental, económica e social. Com as temperaturas globais cerca de 1,5°C acima face aos níveis pré-industriais, a frequência e intensidade de fenómenos extremos, como secas e cheias, são cada vez mais elevados. Para além do impacto social e humano, estes fenómenos geram interrupções na atividade económica, tendo originado prejuízos globais de 220 mil milhões de dólares em 2025.
Os impactos ambientais, como a degradação dos ecossistemas, a perda de biodiversidade, a escassez de recursos e a degradação dos solos, têm consequências diretas na economia. Estes fatores poderão provocar quebras nas cadeias de abastecimento, aumentos de custos e constrangimentos em setores mais dependentes de determinadas matérias-primas.
A resposta a estes desafios exige reduzir o desfasamento entre o investimento necessário para a conservação da natureza e os níveis de investimento atual. Segundo o Circularity Gap Report, as empresas ligadas à economia circular captaram cerca de 164 mil milhões de dólares de investimento entre 2018 e 2023, refletindo o crescente interesse dos investidores em soluções que promovam uma utilização mais eficiente dos recursos, a redução da dependência de matérias-primas críticas e o reforço da resiliência das cadeias de abastecimento.
Investimentos no design de produtos e materiais que promovam a durabilidade, reutilização, reparabilidade e reciclagem desde a fase inicial.
Investimentos em infraestruturas de recolha, triagem e recuperação, bem como em tecnologias que permitam reintegrar materiais em novas cadeias de valor.
Investimento em tecnologias de produção mais eficientes que aumentem o uso de matérias-primas recicladas, reduzam o desperdício e permitam a reintegração dos materiais no ciclo de produção.
Investimento em modelos de negócio e serviços (reparação, recondicionamento e reutilização) que prolongam a vida útil dos produtos e os mantêm em circulação durante mais tempo.
A União Europeia continua também a desempenhar um papel relevante na promoção de práticas mais sustentáveis, nomeadamente na proteção da biodiversidade, economia circular, proteção dos oceanos e transição para modelos de produção e consumo mais sustentáveis. Em 2026 serão mobilizados 166 milhões de euros para natureza e biodiversidade e 79 milhões para economia circular e qualidade de vida.
Deste modo, tendências estruturais de longo prazo como o reforço da regulamentação ambiental, a evolução das preferências por opções mais sustentáveis, a inovação tecnológica e a crescente integração de critérios de sustentabilidade nas decisões das organizações continuarão a criar novas oportunidades para os investidores. A adaptação a fenómenos climáticos extremos constitui igualmente uma área de investimento em crescimento, impulsionando infraestruturas resilientes e tecnologias de monitorização e gestão de riscos, alargando o universo de oportunidades associado à sustentabilidade ambiental.
A procura global de eletricidade está a entrar numa nova fase de crescimento, impulsionada pela eletrificação da economia, pela expansão dos centros de dados e pelo desenvolvimento da inteligência artificial. Consequentemente, as necessidades energéticas a nível mundial estão a crescer de forma significativa, reforçando a urgência de acelerar a transição energética.
De forma a responder a esta procura crescente é necessário continuar a investir em energias renováveis, redes elétricas mais robustas, soluções de armazenamento de energia, eficiência energética e outras tecnologias de baixas emissões de carbono, capazes de fornecer energia de forma acessível e sustentável.
A transição energética é também cada vez mais impulsionada por objetivos de segurança energética e autonomia estratégica. O reforço da produção doméstica de energia, a diversificação das fontes energéticas e o desenvolvimento de cadeias de abastecimento locais para tecnologias críticas procuram reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, mitigar a exposição à volatilidade dos preços da energia e aumentar a resiliência das economias face a riscos geopolíticos.
Após a COP28, a ambição internacional para esta área ganhou novo impulso, com o compromisso global de contribuir para a triplicação da capacidade instalada de energias renováveis até 2030. Segundo a BloombergNEF, o investimento global na transição energética atingiu 2,3 biliões de dólares em 2025, com maior peso do transporte eletrificado, das energias renováveis e das redes elétricas.
A transição energética continua a afirmar-se como uma das tendências mais relevantes da atualidade, impulsionada pelo crescimento da procura de eletricidade, pela modernização das infraestruturas energéticas e pela crescente importância da segurança e autonomia energéticas. Adicionalmente, a exposição nos diferentes segmentos da cadeia de valor, nomeadamente as redes elétricas, o armazenamento e a eletrificação, cria um novo universo de oportunidades para os investidores, permitindo uma maior diversificação das carteiras de investimento.
Cada pessoa é única. Cada investimento também.
Preencha já o questionário para receber informação ajustada ao seu
perfil de investidor.