A Ásia consolidou-se em 2025 como o verdadeiro centro gravitacional da economia global. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o continente representa cerca de 36,9% do PIB mundial em termos nominais (aproximadamente USD 42,6 triliões) e 48,9–49,2% em termos de Paridade do Poder de compra (PPP) (cerca de USD 100 triliões), superando largamente os valores de 2000. Este peso económico crescente sustenta a previsão de que a Ásia ultrapasse os 50% do PIB global em PPP até ao início da década de 2040, com cerca de 40% do consumo global concentrado na região.
“Em paridade de poder de compra, a China lidera superando o PIB dos EUA em mais de 10 triliões.”
A ascensão da China continua a ser um dos pilares deste realinhamento global. Em 2025, o PIB nominal chinês é estimado em USD 19,3 triliões, enquanto o dos EUA é de USD 30,5 triliões — o que coloca os EUA à frente nominalmente por um fator de 1,6 vezes. Em paridade do poder de compra (PPP), no entanto, a China lidera com cerca de USD 40,7 triliões contra os USD 30,5 triliões dos EUA, representando uma vantagem de aproximadamente USD 10,2 triliões.
Já a Índia emerge como terceiro motor global da economia em PPP e quarto em nominal. Estima-se que em 2025 o seu PIB nominal roce os USD 4,19 triliões, com o PIB em PPP atingindo cerca de USD 17,65 triliões — consolidando-a como terceira maior economia por PPP. Apesar do PIB per capita permanecer relativamente baixo (aproximadamente USD 2.878 nominal e USD 12.132 PPP), a economia indiana cresce robustamente (6,4% em 2025, após 7,2% em 2024), com inflação atingindo um mínimo histórico de 2,10% em junho de 2025.
“Ásia regista progressos substanciais em educação, saúde, digitalização e inclusão social.”
Paralelamente ao vigor económico, a Ásia regista progressos substanciais em educação, saúde, digitalização e inclusão social. Economias como Indonésia, Vietname e Filipinas melhoraram significativamente o seu Índice de Desenvolvimento Humano, enquanto países como Coreia do Sul, Singapura e Japão mantêm liderança global em desempenho educativo e longevidade — fatores que sustentam oportunidades de investimento em sectores novos e emergentes.
No quadrante da sustentabilidade, os investimentos ESG na Ásia estão a crescer rapidamente. Estima-se que os ativos em ETFs com foco ESG representem atualmente uma fatia relevante do mercado regional, com destaque para o Japão, que lidera em regulamentação e adoção institucional de práticas sustentáveis. A China, por sua vez, tem ganho protagonismo como maior emissor mundial de obrigações verdes e impulsiona o crescimento regional, com analistas a preverem uma expansão expressiva dos ativos sustentáveis. Estudos indicam que a Ásia poderá assistir a um crescimento superior a 18 % nos ativos ESG, com a China a posicionar-se na vanguarda deste movimento.
O investimento em inovação tecnológica já representa mais de 44% do total global em I&D, e a China está próxima de ultrapassar os EUA como maior investidor neste sector. Japão, Coreia do Sul, Singapura e Hong Kong continuam a ser centros de excelência em tecnologia, enquanto Índia, Malásia e Vietname avançam com rapidez em digitalização, automação e capacidades científicas. Projeta-se que a Ásia possa representar mais de 50% do total global de I&D até 2030.
“A RCEP criou a maior zona de comércio livre do mundo, cobrindo mais de 30% do PIB global.”
A assinatura da Parceria Económica Regional Abrangente (RCEP) em 15 de novembro de 2020, envolvendo 15 países da Ásia Pacífico (ASEAN + China, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia), criou a maior zona de livre comércio do mundo — uma área com cerca de 30% do PIB global (USD 29–30 triliões em 2025) e mais de 2,2 mil milhões de habitantes. O pacto prevê a eliminação de tarifas ao longo de 20 anos, regras uniformes de origem e liberalização dos serviços, com potencial de adicionar até USD 200 mil milhões ao PIB global até 2030.
Embora a Índia tenha decidido não integrar a RCEP em 2019 devido a preocupações em relação à competitividade da sua indústria doméstica, existe abertura futura ao seu ingresso, com conversações em curso para atender às suas sensibilidades. A adesão poderia dinamizar as exportações indianas, especialmente das PME, impulsionando seu objetivo de alcançar USD 1 trilião em exportações.
Complementarmente à RCEP, a Iniciativa Belt and Road (Nova Rota da Seda) reforça a conectividade global através de infraestrutura trilionária, ligando a Ásia, Europa, África e América Latina — e envolveu mais de 150 países até meados de 2025.
Em H1 2025, a China assinou contratos de investimento e construção no valor de USD 124 mil milhões, totalizando 176 acordos — o que já supera o total anual de 2024. Desde 2013, o investimento acumulado ultrapassa os USD 1,3 triliões.
Destacam-se os setores de energia limpa e tecnologia, com USD 5,7 mil milhões em obras de energias renováveis, USD 3,1 mil milhões em investimentos diretos verdes e mais de 12 gigawatts de nova capacidade instalada apenas no primeiro semestre de 2025. O setor privado assume papel crescente, com empresas como Longi Green Energy e ByteDance entre os maiores investidores.
Segundo projeções do Banco Mundial, a Iniciativa Belt and Road poderá acrescentar até USD 7,1 triliões por ano ao PIB mundial até 2040, reduzindo os custos do comércio global entre 1,1% e 2,2%, especialmente em países em desenvolvimento.
Num panorama onde rivalidades estratégicas e colaborações regionais coexistem, a Ásia assume-se como palco central do novo ordenamento económico mundial. Com base sólida em crescimento socioeconómico, inovação, integração comercial e sustentabilidade, o continente sobressai como tema de investimento com potencial de retorno ao longo de décadas.
Estima-se que a “Nova rota da sede” conduza à eliminação imediata de tarifas sobre cerca de 65% das mercadorias, com a meta de atingir 90–91% de cobertura tarifária eliminada em 20 anos. Isto cria um ambiente mais competitivo para empresas, especialmente nos setores industriais e tecnológicos.
“O acordo associado à “Nova Rota da Sede” cria um ambiente mais competitivo, especialmente nos setores industriais e tecnológicos.”
Além das reduções tarifárias, este acordo promove a liberalização do setor de serviços, estabelece regras comuns para compras públicas, apoio à inovação e integração de PME, reforçando cadeias de valor regionais mais eficientes e interligadas.
Com 20 capítulos temáticos – incluindo comércio de bens, serviços, investimentos, e-commerce, propriedade intelectual e mobilidade de trabalhadores – a RCEP coloca a Ásia numa posição competitiva mais avançada, melhorando o contexto institucional para fundos focados em inovação e crescimento estrutural.
Do ponto de vista logístico, o texto de regras de origem foi simplificado e mecanismos como despacho aduaneiro acelerado em até 48 horas garantem a agilização de exportações e importações intra-bloco. Estas medidas reduzem os custos operacionais das cadeias regionais de fornecimento.
Assim, a “Nova Rota da Seda” pode adicionar entre USD 147 e 186 mil milhões ao PIB global até 2030, além de USD 428 mil milhões em comércio intra-bloco, beneficiando sobretudo Japão, Coreia do Sul e China. De acordo com simulações do IDE-GSM, a RCEP deve elevar o PIB do Japão em 0,7% até 2030, enquanto a Coreia do Sul pode crescer +0,24%, e a China +0,13%, apenas com os efeitos tarifários iniciais. Outros modelos apontam ganhos diretos para a China (+USD 85 bi), Japão (+USD 48 bi), Coreia do Sul (+USD 23 bi) e também para Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietname — com ganhos até 0,5% do PIB nessas economias emergentes.
Também impulsionará reformas estruturais internas: acelera eficiência administrativa, estimula competitividade e fortalece instituições nacionais, frequentemente gerando retornos superiores aos ganhos diretos do comércio.
Apesar de a Índia não fazer parte do acordo que sustenta a “Nova Rota da Seda”, o bloco fortalece um novo núcleo de integração asiática – sobretudo no eixo China Japão Coreia – criando oportunidades de investimento em exportadores regionais, cadeias de valor e setores de serviços inovadores.
A Ásia tem crescido economicamente a um ritmo superior ao das economias ocidentais, que enfrentam envelhecimento populacional e perda de dinamismo. Apesar das desigualdades entre países asiáticos, tem-se verificado uma rápida expansão da classe média: em 2020, cerca de dois mil milhões de asiáticos integravam este grupo e esse número poderá atingir 3,5 mil milhões até 2030 — o que representa dois terços da classe média mundial.
Estima-se que 90% dos dez milhões de novos consumidores de classe média globais venham da Ásia, sobretudo China, Índia e Sudeste Asiático. Em 2025, os gastos desta classe média asiática deverão ultrapassar os do resto do mundo. Estes consumidores, antes associados à procura de produtos europeus ou norte-americanos como símbolo de status, começam a preferir marcas nacionais. Um estudo da McKinsey mostra que, em 15 de 17 categorias de bens analisadas, os consumidores chineses optaram por marcas domésticas, incluindo em segmentos como produtos pessoais e eletrodomésticos.
A urbanização acelerada e os avanços tecnológicos têm redesenhado a geografia do poder global, conferindo às grandes cidades um papel central. Hoje, 25% da riqueza mundial provém das dez maiores áreas metropolitanas do planeta, e prevê-se que até ao final do século, 90% da população mundial viva em centros urbanos. O número de megacidades (mais de 10 milhões de habitantes) quadruplicará em 40 anos, ganhando quase 600 milhões de residentes, sobretudo na Ásia, África e América Latina. A maioria das 300 cidades com mais de um milhão de habitantes localiza-se nessas regiões — em contraste com apenas 10 nos EUA e 18 na UE. Muitas dessas cidades cresceram dez vezes desde 1950. Entre 2000 e 2010, a urbanização anual foi de 2,7% na Ásia-Pacífico e apenas 2,1% no mundo, com a Europa de Leste a registar um decréscimo de 0,1%. Estas megacidades tornam-se motores de crescimento, inovação e globalização. A sua densidade populacional gera economias de escala que alimentam o consumo e a criatividade. Um exemplo é a app chinesa Didi Chuxing, que, apesar de semelhante à Uber em termos de serviços, já registou mais de 587 milhões de utilizadores ativos, face aos cerca de 161 milhões da Uber. Além disso, a reinvenção urbana exige investimentos massivos e cria oportunidades para novos modelos de negócio em cidades mais densas, tecnológicas e conectadas — verdadeiros polos de inovação e crescimento.
Enquanto o Ocidente lida com o envelhecimento populacional, a Ásia enfrenta o desafio oposto: alimentar, formar e integrar uma população jovem e crescente. A geração Z (1996–2012) e os Millennials (1980–1995) terão, em 2025, cerca de 25% de peso demográfico cada um. Estas gerações, mais conectadas e instruídas, impulsionam mudanças de consumo e pressionam setores tradicionais a reinventarem-se. A “economia de partilha” é potenciada por estes nativos digitais. A Ásia lidera este processo: dos 1,8 mil milhões de Millennials no mundo, 1,1 mil milhões vivem na Ásia, 300 milhões em África, 150 milhões na Europa e o restante distribuído entre América Latina, América do Norte e Oceânia.
Estudos indicam que 65% dos Millennials dos mercados emergentes acreditam que terão uma vida melhor que a dos seus pais — o oposto dos seus pares nos países desenvolvidos. Este otimismo traduz-se numa geração de consumidores com poder de compra crescente e fortemente ligados ao digital.
A revolução digital na Ásia é acelerada, profunda e transformadora. Estima-se que até 2021 o processo de digitalização tenha acrescentado 1,16 biliões de dólares ao PIB da Ásia-Pacífico. Este impulso reflete uma aposta estratégica por parte dos governos e das empresas em tecnologias emergentes, infraestruturas digitais e inteligência artificial.
A China lidera esta transformação, com ecossistemas digitais robustos e empresas como Baidu, Alibaba e Tencent a redefinirem o comércio eletrónico, os serviços financeiros e as redes sociais. Também países como a Índia (com a fintech Paytm) e a Indonésia (com a superapp Go-Jek) demonstram inovação no setor dos pagamentos digitais e mobilidade urbana. A região investe fortemente em robótica industrial e inteligência artificial, preparando-se para dominar as tecnologias do futuro.
A Ásia é responsável por metade dos utilizadores de internet do mundo, sendo a região com o maior crescimento de novos utilizadores. Em 2020, o comércio eletrónico asiático gerou cerca de 1,4 biliões de dólares, quase três vezes mais do que os Estados Unidos. As compras efetuadas via dispositivos móveis representam 74% do total de vendas online na Ásia — comparando com apenas 37% na Europa e 31% na América do Norte.
Além disso, a região foi responsável por 41% de todos os downloads de aplicações móveis em 2019, o que demonstra o imenso mercado digital e o potencial de escalabilidade das tecnologias orientadas para o consumidor. Plataformas como o WeChat ilustram bem a capacidade de integração asiática, combinando e-commerce, pagamentos, redes sociais, serviços de transporte e seguros numa única aplicação.
Na era pós-Covid-19, três atributos tornaram-se vitais para a prosperidade de uma nação: velocidade, cooperação e resiliência. A velocidade do processo de transformação digital na Ásia é incomparável, refletindo um ecossistema de rápida adoção tecnológica. A cooperação regional tem-se intensificado, visível com a criação da Parceria Económica Regional Abrangente (RCEP), que constitui a maior zona de comércio livre do mundo. Já em termos de resiliência, as economias asiáticas demonstraram capacidade de adaptação das cadeias de abastecimento num contexto geopolítico e tecnológico mais multipolar.
Assim, a Ásia detém atualmente a posição mais privilegiada para liderar a economia digital global, tanto em termos de escala como de inovação.
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