Recentemente ocorreu o comité de investimento do Banco Best, onde foram analisados os acontecimentos económicos mais recentes e definida a visão sobre as diferentes classes de ativos de investimento.
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Ligeiramente Positivo
Neutro
Ligeiramente Negativo
Mantemos uma posição neutra em liquidez, pois continua a oferecer estabilidade e rendimento num contexto de volatilidade.
Mantém-se uma visão claramente favorável sobre os ativos alternativos, com uma
posição overweight, destacando-se:
• estratégias de total return, pelo seu carácter defensivo e descorrelacionado;
• infraestruturas e imobiliário, com potencial de médio e longo prazo, nomeadamente num cenário de reconstrução e reposicionamento económico;
• commodities, enquanto elemento de diversificação e proteção num contexto inflacionista.
Apesar dos riscos associados a um contexto de inflação mais persistente, os níveis
absolutos de yield continuam a revelar-se atrativos em segmentos específicos do
universo obrigacionista, sobretudo numa lógica de médio prazo e buy and hold.
Mantém-se, no entanto, uma abordagem prudente e seletiva:
• High Yield: manutenção de uma posição underweight, refletindo a maior sensibilidade
ao ciclo económico e o risco de alargamento de spreads.
• Dívida de Mercados Emergentes: ajuste do posicionamento para neutral, incorporando
uma leitura mais cautelosa do contexto global.
• Em paralelo, reforça-se a preferência por obrigações de governos e crédito investment
grade, privilegiando qualidade e proteção num enquadramento mais adverso.
O racional para manter um posicionamento overweight em ações enfraqueceu de forma significativa. O aumento da incerteza geopolítica e os riscos económicos mais persistentes tornaram menos atrativa uma exposição acrescida a ativos acionistas. Neste sentido, a exposição a ações na Europa, nos mercados emergentes e noutros mercados desenvolvidos foi ajustada para neutral, em alinhamento com a visão já definida para os EUA, reconhecendo simultaneamente a maior resiliência relativa do mercado norte-americano.
Estados Unidos: Os EUA continuam relativamente menos expostos ao choque
energético quando comparados com outras regiões, beneficiando de uma maior
autonomia energética. Ainda assim, o aumento dos preços da energia reintroduz
riscos inflacionistas e acrescenta complexidade ao enquadramento
macroeconómico, num contexto em que já começam a surgir sinais de
abrandamento no mercado de trabalho. A Reserva Federal mantém uma postura
cautelosa e claramente dependente dos dados, com os mercados a anteciparem
uma política monetária menos acomodatícia do que anteriormente esperado,
embora sem espaço imediato para novas subidas significativas das taxas de juro.
Zona Euro: Na Zona Euro, o agravamento do risco geopolítico e a elevada
dependência energética do Médio Oriente pressionaram as expectativas de inflação
e o sentimento económico. O BCE mantém os juros inalterados e uma abordagem
data-dependent, num contexto de crescimento mais moderado e maior
vulnerabilidade a choques externos, em particular ligados à energia, o que reforça os
riscos para a atividade económica na região.
Riscos globais: A escalada do conflito no Médio Oriente e a incerteza em torno da
normalização dos fluxos energéticos reintroduzem riscos estagflacionistas a nível
global. A evolução dos preços do petróleo será determinante para a trajetória da
inflação, da política monetária e do crescimento económico. Num ambiente
marcado por elevada incerteza e volatilidade, a diversificação continua a assumir um
papel central na construção das carteiras.
A reação dos mercados financeiros tem sido mista, com episódios de elevada volatilidade. Os ativos de risco recuperaram parcialmente após quedas acentuadas no início da semana, enquanto as yields das obrigações soberanas recuaram, refletindo uma maior procura por ativos defensivos. Observam-se rotações entre regiões, estilos e classes de ativos, exigindo maior seletividade. Apesar do enquadramento desafiante, choques geopolíticos tendem historicamente a ter um impacto temporário nos mercados, tornando penalizadoras decisões abruptas de redução de risco.
Indefinição da Duração do Conflito no Médio Oriente e seus impactos preocupa Mercados
Para que não perca de vista o que de mais importante se passou neste mês, destacamos de forma sucinta os principais acontecimentos que marcaram a economia global e os mercados financeiros.
Guerra no Médio Oriente: a esperança de um conflito rápido, tem sido contrariado pelo Irão, ao atingir navios e infraestruturas petrolíferas e manter o Estreito de Ormuz praticamente encerrado. Mantém-se o choque na oferta global de energia
Bancos Centrais: BCE e Fed mantiveram os juros inalterados. O Outlook mais incerto mantém-nos data dependent, com o mercado a descontar duas subidas dos juros pelo BCE. A Fed poderá não descer os juros como previsto anteriormente
Estreito de Ormuz
Era passagem obrigatória para a exportação de cerca de 20% do petróleo e gás natural consumido globalmente. O seu encerramento pelo Irão, dificultou a resolução deste conflito e criou um choque de oferta de energia de impactos ainda imprevisíveis para a economia global.
Ao nível da economia global, o mês foi marcado pelos seguintes fatores e acontecimentos:
EUA: em janeiro, a inflação, medida pelo PCE Core subiu de 3% para 3,1% YoY. O PMI Compósito de março recuou de 51,9 p/ 51,4 pontos (c/ a atividade industrial a acelerar ligeiramente, mas os serviços a caírem). Relatório do emprego de fevereiro teve uma perda inesperada de 92 mil empregos.
ZONA EURO: em março, o PMI compósito recuou de 51,9 para 50,5 pontos (mínimo de 10 meses). A atividade industrial subiu de 50,8 para 51,4 pontos, com os serviços a recuar de 51,9 para 50,1 pontos. O IPC de fevereiro subiu de 1,7% para 1,9% YoY.
CHINA: no 1º bimestre, subiram as vendas a retalho (0,9% para 2,8% YoY), a produção industrial (de 5,2% p/ 6,3% YoY) e a balança comercial (com o reforço das exportações em 21,8% YoY).
O acompanhamento da evolução dos mercados financeiros, a par da diversificação de investimentos, é um pilar base para a construção de uma carteira de investimentos adequada. Saiba resumidamente o que marcou os diferentes mercados este mês.
AÇÕES: o conflito no Médio Oriente provocou quedas significativas nas ações em março. Os mercados mais penalizados foram aqueles que tinham mais valorizado no 1º bimestre do ano ( Europa e Ásia - ambos são dependentes de energia, tendo a Ásia ainda como principal fornecedor de energia fóssil os países do Golfo Pérsico). Acresce o facto de ter havido uma elevada volatilidade motivada por notícias mistas nos desenvolvimentos geopolíticos e da própria volatilidade dos preços da energia.
OBRIGAÇÕES: a subida dos preços da energia criou receios crescentes sobre a inflação, com o conflito a prolongar-se no tempo e a afetar infraestruturas de produção de energia do Médio Oriente. Este facto fez com que o mercado passasse a descontar, 3 subidas de 25 bps dos juros por parte do BCE em 2026. Em relação à Fed, passámos de 1 descida para 1 subida dos juros. Este cenário impactou em subidas significativas das yields das obrigações (incluindo dívida pública) em todos os prazos.
CÂMBIOS: o dólar, manteve a tendência do final de fevereiro, servindo e ativo de refúgio em relação ao aumento dos riscos geopolíticos e inflacionistas. Este facto levou a nota verde a ganhar 2,35% face ao euro em março (+1,79% YTD).
MATÉRIAS-PRIMAS: o petróleo (brent) valorizou mais de 60% em março, com as dúvidas persistentes de uma resolução diplomática a curto prazo a criar uma elevada volatilidade nos preços da energia. Já o ouro caiu mais de 12% MoM, à medida que os crescentes riscos de subida da inflação reduziram as expectativas do mercado em relação a cortes nas taxas de juro pela Fed.
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